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Oportunidades para o desenvolvimento do mercado de Jerked Beef no Brasil

As necessidades e demandas que marcaram a história da indústria de carne seca no Brasil, a partir do século XVI, mudaram ao longo do tempo, exigindo adequação no processo de produção e variações de produtos para atender requisitos de consumo. 

 

Originalmente, com oferta maior do que a demanda, a produção ocorria de forma a evitar desperdício. Passou, então, a ser impulsionada pela necessidade proteica por parte da população de trabalhadores das lavouras canavieiras. Numa etapa posterior, se desenvolveu com maior força no âmbito cultural, sobretudo para atender grupos e/ou regiões mais específicas do País, com destaque para Sul e Nordeste. 

 

Mais recentemente, passou a abranger novas regiões e a atender públicos diferenciados, com demanda por conveniência e marcada pela conscientização sobre a necessidade de consumir alimentos não prejudiciais à saúde.

 

Considerado o produto de ponta na evolução da carne seca produzida industrialmente, e com grande potencial de crescimento de mercado, o Jerked Beef incorpora a carga cultural do consumo de carne seca no Brasil e também questões relacionadas aos alimentos processados. Esse conjunto de fatores se traduz em grandes desafios para a indústria em questão. 


 
Não existem dados oficiais sobre o consumo de carne seca ou Jerked Beef no Brasil, mas estima-se que o charque seja um dos produtos cárneos industrializados mais consumidos no País. A valorização da comida típica brasileira e o uso que chefes de cozinha têm feito da carne seca industrializada têm expandido o consumo desse produto, que deixa de ser exclusivamente regionalizado, passando a ter maior aceitação em regiões diversas. A diferenciação do produto consumido em cada região, no entanto, ainda é evidente, sendo o Jerked Beef mais consumido no Sudeste do País.

 

Contudo, a demanda atual reflete cada vez mais a opção por alimentos com características padronizadas e qualidade estabelecida. Assim como para a carne fresca, o fator maciez se destaca para a salgada. Melhorias neste aspecto em específico poderiam resultar em aumento da aceitação pelo consumidor de produtos típicos. 

 

De modo geral, o Jerked Beef parece atender favoravelmente os quesitos atuais de demanda, mostrando-se como um produto atrativo ao consumidor de regiões onde o hábito de consumo da carne seca é mais recente (Sudeste brasileiro) em relação a outras onde a questão cultural já o fez consolidado (Sul e Nordeste). Apresenta-se também como um produto novo aos olhos de consumidores que não apreciam o charque, o que resulta na possibilidade de aumentar a fatia de mercado. O fato de não precisar de refrigeração para ser armazenado é outro ponto positivo para o produto, visto que contribui para amenizar os gastos com energia e demais custos provenientes da cadeia do frio, que envolvem transporte e armazenagem.

 

Apesar do grande potencial como fonte de proteína de origem animal, do importante espaço que já ocupa no mercado e do relevante papel socioeconômico que representa, o Jerked Beef tem participação pouco expressiva no mercado perto do potencial que lhe é atribuído. Existe muito a ser explorado nos mercados nacional e internacional. 

 

Ações de marketing que promovam principalmente a divulgação e a difusão de informações sobre o Jerked Beef poderiam favorecer a exploração do mercado potencial do produto, tanto em território brasileiro como no exterior. 

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